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Affonso Romano de Sant’Anna nasceu em 1937( Belo Horizonte,MG, Brasil).
-Nos anos 60 teve participação ativa nos movimentos que transformaram a poesia brasileira, interagindo com os grupos de vanguarda e construindo sua própria linguagem e trajetória.
-Data desta época sua participação nos movimentos políticos e sociais que marcaram o país.Por isto, como poeta e cronista foi considerado pela revista “Imprensa” em 1990 como um dos dez jornalistas que mais influenciam a opinião de seu país.
-Nos anos 70 dirigindo o Departamento de Letras e Artes,PUC/RJ, organizou a melhor pós graduação em literatura brasileira do Brasil, organizou a “ Expoesia”, que redirecionou a poesia brasileira. Trouxe ao Brasil conferencistas estrangeiros como Michel Foucault. Nesse departamento, apesar das dificuldades impostas pela ditadura realizou uma série de encontros nacionais de professores, escritores e críticos literários. Pela primeira vez no país a chamada literatura infanto-juvenil passou a ser estudada na universidade e a ser tema de teses de pós-graduação.Tiveram também cursos de Criação Literária com a presença de importantes escritores nacionais.
-Como jornalista trabalhou nos principais jornais e revistas do país: Jornal do Brasil (pesquisa e copy desk), Senhor( colaborador) ,Veja( critico), Isto É( Cronista), colaborador de O Estado de São Paulo. Cronista do Jornal do Brasil e de O Globo.
-Considerado pelo crítico Wilson Martins como o sucessor de Carlos Drummond de Andrade,realmente substituiu-o como cronista no “Jornal do Brasil”, em 1984. E foi sobre Carlos Drummond de Andrade a sua tese de doutoramento ( Univ. Fed. Minas Gerais),intitulada:”Drummond, o gauche no tempo”.
-Nos duros tempos da última ditadura militar, Affonso Romano de Sant’Anna publicou corajosos poemas nos principais jornais do país, não nos suplementos literários, mas nas páginas de política . Poemas como “ Que país é este?”( traduzido para o espanhol, inglês, francês e alemão), foram transformados em “posters”, aos milhares, e colocados em escritórios, sindicatos, universidades e bares.
-Nessa época produziu uma série de poemas para a televisão (Globo) .Esses poemas eram transmitidos no horário nobre, no noticiário noturno e atingiam uma audiência de 60 milhões de pessoas.
-Fez também nessa época também uma nova experiência, aliando poesia e “:mídia”, produzindo poemas sobre futebol e a Copa do Mundo ( l986), que eram transmitidos com imagens e sons após os jogos do Brasil.
-Como presidente da Biblioteca Nacional- a oitava biblioteca do mundo, com oito milhões de volumes- realizou entre 1990 e 1996 a modernização tecnológica da instituição, informatizando-a, ampliando seus edifícios e lançando programas de alcance nacional e internacional.
-Criou o Sistema Nacional de Bibliotecas, que reúne 3.000 instituições e o PROLER ( Programa de Promoção da Leitura), que contou com mais de 30 mil voluntários e estabeleceu-se em 300 municípios.E em 1991 lançou o programa “Uma biblioteca em cada município”.
-Seu trabalho à frente da Biblioteca Nacional possibilitou que o Brasil fosse o país-tema da Feira de Frankfurt( 1994) , o país -tema, na Feira de Bogotá(1995) e no Salão do Livro( Paris, 1998).
-Lançou a revista “Poesia Sempre”, de circulação internacional, tendo organizado números especiais sobre a América Latina, Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha.
-Foi Secretário Geral da Associação das Bibliotecas Nacionais Ibero-Americanas(1995-1996), que reúne 22 instituições desenvolvendo amplo programa de integração cultural no continente.
-Foi Presidente do Conselho do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e no Caribe-CERLALC), 1993-1995.
-Nas atividades universitárias, foi professor de várias universidades brasileiras (Universidade Federal de Minas Gerais, Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro) e orientou, como tal,cerca de 80 teses de doutorado e mestrado.
-No exterior deu cursos na Universidade de Los Angeles( l965-67), Universidade do Texas( l976), Universidade de Koln( 1978), Universidade de
Aix-en-Provence (1980-1982) e conferências na Dinamarca, Espanha, Portugal, Canadá, México, Argentina, Chile,etc.
-Como escritor participou do “International Writing Program”(1968-1969) em Iowa, USA, dedicado a jovens escritores de todo o mundo.
-A partir dos anos 80 esteve mais constantemente em festivais internacionais de poesia em Medellin, Bogotá, Caracas,México, Buenos Aires, Santiago do Chile e Irlanda.
-Em 1999 esteve em Bellagio, Itália a convite da Fundação Rockefeller para ultimar seu livro “ Textamentos” e adiantar a pesquisa sobre “ carnavalização e cultura”.Também já foi bolsista da Guggenheim e da Fundação Ford.
-Mereceu vários prêmios nacionais e foi júri de uma série de prêmios internacionais como o Prêmio Camões(Portugal/Brasil), Prêmio Rainha Sofia(Espanha), Prêmio Peres Bonald(Venezuela), Prêmio Pégaso/Mobil Oil(Colômbia/USA).
-Sua obra tem cerca de 30 livros de ensaios, poesia e crônicas e seus poemas estão publicados em dezenas de antologias , livros e revistas no exterior.
-Tem dois Cds, um de poesia, gravado por Tônia Carrero e outro de crônicas, com participação especial de Paulo Autran.
OBRAS DE AFFONSO ROMANO DE SANT’ANNA
Poesia: no Brasil:
1-Canto e palavra. Imprensa Oficial. Belo Horizonte, MG, 1965.
2-Poesia sobre poesia. Ed. Imago, Rio, 1975.
3-A grande fala do índio guarani. Summus. São Paulo, 1978(2 edições),
4-Que país é este? Ed. Rocco, Rio, 1990( 4 edições)
5-A catedral de Colônia. Ed. Rocco.Rio, 1987.
6-A poesia possível(poesia reunida). Ed.Rocco.Rio, 1987.
7-A morte da baleia.Ed.Berlendis & Verdecchia, Ed. Rio, 1990.
8-O lado esquerdo do meu peito.Ed. Rocco, Rio, 1922(2 edições)
9-Epitáfio para o século XX(antologia).Ediouro,São Paulo, 1997.
10-Melhores poemas de Affonso Romano de Sant’Anna.Ed.Global,SP,1993(3 edições)
11-O intervalo amoroso(antologia).L&PM.Porto Alegre, 1999.
12-A grande fala e Catedral de Colônia( ed. comemorativa),Rocco, Rio, 1998.
13-Textamentos.Ed. Rocco. Rio, 1999.
Poesia: no exterior:
1-Antologia da poesia brasileira(org.José Valle Figueiredo)Ed. Verbo, Portugal, 1970.
2-Antologia de la poesia latinoamericana(1950-1970)(org. Stefan Baciu) State Univ. New York, 1974.
3-Littérature du Brèsil( Revue Europe) aout0-sept, 1982, Paris-Franca.
4-Beispilsweise Koln-Ein Lesebuch-herausgegeben von H. Grohler, G.E. Hoffaman, H. J.Tummers, Lamuv Verlag, Alemanha, 1984.
5-Translations: The journal of literaty Tranalation.Spring Columbia Univ. Spring 1984.
6-Lianu Liepesna (Brazilynaujosios poezijos antologija)(antologia brasileira em lituano).Org. Povilas Gaucys, Chicago, 1985.
7-South Easter Latin americanist. Univ. Miami , sept/dec. 1985.
8-A posse da terra( escritor brasileiro hoje) Org. Cremilda Medina. Imp. Nacional. Casa da Moeda/Sec. Cultura, SP, 1985.
9-Antologia da poesia brasileira(oprg. Carlos Nejar), Imp. Nacional/ Casa da Moeda, Portugal, 1986.
10- Brazilian Literature. Special Issue.Latin American Literature Review. Jan/jun, 1986. Univ. Pittsburg, 1986.
11-Anthologie de na nouvelle poèsie brèsilienne. Org. Serge Borjea. Harmatan. Paris, l988.
12-Okolice (miessiecznik spoleczno-literaracki), Marzec, Polonia, 1982.
13-Epitafio para el siglo XX.Fundarte.Caracas. Venezuela, 1994.
14-Antologia da poesia brasileira . China. Embaixada do Brasil, Pequim, 1994.
15-Liberté/Brasil littéraire. Montreal. Canadá, 1994.
Das Gediche(Zeitschrife fur lyric,Essay und Kritik) AGHL. Alemanha, 1997, nº 3, oct.1995.
16-Vision de la poesia brasileña.(org.Thiago de Mello). Instituto Libro Santiago, Chile, 1996.
17-Tierra de Nadie(antologia de nueve poetas latinoamericanos_ Ed. Una, Costa Rica, 1996.
18-New lateiramerikanishce poesia/ Nueva Poesía America Latina. Rowohlr Literatur Magazin 38, Hambur, 1996.
19-Review: Latin American Literature and Art,.Fall 1996.America Societe, New York, USA.
20-Poeti brasiliani contemporani. Silvio Castro.Centro Internazionake della Grafica di Venezia, Univ. Padovaa, Italia, 1997.
21-Affonso Romano de Sant’ Anna & Carlos Nejar: deux poètes brésiliens contemporains”.(org Regina Machado)La Sape, Centre Nationnale de Lettres, Paris, 2000.
22-Poesia brasileira do século XX(dos modernistas à acualidade). Org. José Henrique Bastos, Ed. Antigona, Lisboa, 2002
Antologias de poesia no Brasil:
1-4 poetas. Ed. Universitária, Belo Horizonte, MG, 1960.
2-Violão de rua I. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1962.
3-Violão de rua II. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1963.
4-Violão de rua III. Ed. Civilização Brasileira, Rio, 19633.5-
5-Poesia da fase moderna( org. Manuel Bandeira e Walmir Ayala, Ediouro, 1966.
6-Poesia Viva. (org. Moacyr Felix,Ed. Civilização Brasileira, Rio, 1968.
7-Poesia contemporânea( org. Henrique Alves). Ropsiwitha Kempf,SP,1985.
8-Carne Viva. (org. Olga Savary) ed. Anima, 1984.
9-O imginário a dois( com Marina Colasanti.Ed. Artetexto,Rio, 1987.
10-Sincretismo: a poesia da Geração 60( org. Pedro Lyra), Topbooks, 1995.
11-Poesia contemporânea.cadernos de poesia brasileira, Inst. Culural Itaú, São Paulo, 1997.
12-Baú de Letras( antologia poética de Juiz de For a) Funalfa,Juiz de For a, 2000
13.Os cem melhores poetas brasileiros do século. (org. José Nêumanne Pinto).Geração Editorial,SP,2001.
14.100 anos de poesia-um panorama da poesia brasileira no século XX. Org. Claufe Rodrigues e Alexandra Maia. Ed. O verso edições, Rio, 2001,
Ensaios:
1-O desemprego do poeta. Imp. universitári9a, UFMG, 1962.
2-Drummond, o “gauche” no tempo. Ed. Record, Rio, 1990. (4 edições)
3-Política e Paixão.Ed.Rocco, 1984.( 2 edições)
4-Análise estrutural de romances brasileiros.Ed. Ática, SP,1989(8 edições).
5-Por um novo conceito de literatura brasileira .Ed. Eldorado.Rio, 1977.
6-Música popular e moderna poesia brasileira. Ed. Vozes. Petrópolis, 1997. (4 edições)
7-Emeric Marcier.Ed. Pinakoteke.Rio, 1993.
8-O canibalismo amoroso. Ed. Rocco, Rio, 1990( 3 edições).
9-Paródia, Paráfrase & Cia.Ed.Atica, S.p, 1985, (7 edições)
10-Como se faz literatura.Ed. Vozes. Petrópolis,1985(2 edições)
11-Agosto, 1991: estávamos em Moscou(com Marina Colasanti). Ed.Melhoramentos. SP, 1991.
12-O que aprendemos até agora? Ed. Edufitia. São Luis. Maranhão(1984), Ed. Univ. Santa Catarina, 1994.
13-Barroco, alma do Brasil.Ed.Comunicação Maxima/Bradesco,Rio 1997( 2 edições). Reeditado em inglês, francês e espanhol , 1998.
14-A sedução da palavra(ensaio e crônicas). Letraviva. Brasili, 2000
15-Barroco, do quadrado `a elipse. Ed. Rocco,Rio, 2000.
Crônicas:
1-A mulher madura. Ed. Rocco, Rio, 1986.(3 edições)
2-O homem que conheceu o amor. Ed.Rocco, Rio,1988(2 edições)
3-A raiz quadrada do absurdo.Ed. Rocco,1989.
4-De que ri a Mona Lisa.Ed. Rocco,Rio, 1991.
5-Fizemos bem em resistir(antologia),.Rio, 1994.
6-Mistérios gozosos.Ed. Rocco, Rio,1994.
7-A vida por viver.Ed. Rocco, Rio , 1997.
8-Porta de Colégio(antologia).Ed.Atica, Sp, 1995(7 edições)
9-Que presente te dar( antologia).Ed. Expressão e Cultura, Rio, 2001
Prosa/ensaios: com outros autores:
1.O livro do seminário(1a. Bienal Nestlé de Literatura),1982.
2.Crônicas mineiras. Ed. Atica, 1984
3.A paixão segundo G.H.Clarice Lispector ( textos criticos).Co. Arquivos, Unesaco, 1988.
4.Tv ao vivo. Ed. Brasiliense, 1988.
5.Homenagem a Manuel Bandeira, UFF/ Presença,Rio, 1989.
6.Palavra de poeta. Denira do Rosário.ed. Jose Olympio, Rio, 1989.
7.Auto-retratos.Giovani Ricciardi, Martins Fontes, SãoPaulo, 19091
8.Drummund(arte em exposição). Salamandra.Rio, 1990.
9.Minas liberdade. Sec. Cult. de Minas Gerais, 1992.
10.O amor natural.Carlos Drummond de Andrade( prefácio), Record. Rio, 1992.
11.Cartas de Mário de Andrade.Ed. Nova. Fronteira, Rio, 1993.
12.Hélio Pelegrino. A-deus. Ed. Vozes, Petrópolis, 1990.
13.131 posições sexuais o sexo visto pro 131 personalidades) Org./ Lu Lacerda
14. Tiradentes, teu nome é liberdade, Maxima Comunicação, Rio, 1992.
15.O livro ao vivo.Centro cultural Cândido Mendes,.Rio, 1995.
16.Crônicas de amor. Ed.Ceres, SP, s/d
17.Brasil e Portugal: 500 anos de enlaces e desenlaces( Org.Gilda Santos).Real Gabinete de Leitura, Ano 200o,Rio
18.Para entender o Brasil.(org. Marisa Sobral Luiz Antonio Aguiar), Ed. Alegro, São Paulo,2000.
19. Brasil e Portugal 500 anos de enlaces e desenlaces, v. 2.Real Gabinete de Leitura, 2001,Rio.
20.Pecados ( Orgulho) Org. Eliana Yunes-Maria Clara Bingerer. Ed.Loyola. Rio,2001
21.Ao encontro da palavra cantada.( Canto e palavra). Org. Claudia Neiva de Matos, 7 Letras, Rio, 2001.
22.Dona Flor e o triângulo culinário e amoroso. In “Personae: grandes personagens da literatura brasileira”.Org. Lourenço Dantas Mota- Benjamim Abdala Jr. Ed. Senac ,SãoPaulo, 2001.
23-Cronicas de uma viagem a Portugal. In Pontes Lusófonas III-Arquitecturas Luso-Brasileiras, Instituto Camões, Lisboa, 2001.
24.Wilson Martins. Um crítico na linha de fogo. In Mestre da Critica-Edição comemorativa dos 80 anos do critico literário Wilson Martins. Imp. Oficial Paraná- Topbooks,Rio, 2001
25.O valeroso lucideno- um c aso de arqueologia literária. Idem.
Poesia/ ensaios no exterior( com outros autores):
1.Confluences littéraires(Bresil-Quebec). Les bases d”une compairaison.Les Editions Balzac,Montreal, 1992.
2.Les riques du métier. L’Exagone.Quebec.Montreal.Canadá, 1990.
3.Cuentos Brasileños. Ed. Andres Bello, Chile, 1994.
4.O Brasil no limitar do sec. XXI. Frankfurt am Main,TFM, Frankfurt, 1996.
5.Libraries, social inequalities and the challenge of the twenty first century.Dedadus(Journal of the American Academy of Arts ans Sciences,Fall 1996).
6.Tropical Paths: essay on modern brazilian literature(Org. Randal Jonhson) Ed.Garland, N. York/London, 1993.
7.Brésil, poèsie du corpos. M. Leroy-Patay- M.E. Malheiros Poulet, La taillanderie, Lyon, 2000.
8.”Lusofonia, mentiras e realidade” in “Veredas( Revista da Associação Internacional de Lusitanistas), Fundação Eng. Antoniol de Almeida, Porto, 2000.
Cds de Literatura
-Affonso Romano de Sant’Anna por Tônia Carrero.Luzdacidade.Niterói, 1998.
-Cronicas escolhidas(com participação de Paulo Autran).Luzdacidade, Niterói, 1999.
-“O escritor por ele mesmo” Instituto Moreira Salles, 2001
Prêmios literários:
Prêmio Mário de Andrade. Livro “ Drummond o “gauche” no tempo.
Prêmio Fundação Cultural do Distrito Federal. Livro” Drummond o “gauche” no tempo.
Prêmio União Brasileira de Escritores. Livro” Drummond, o “ gauche “ no tempo.
Prêmio Estado da Guanabara. Livro “ Drummond, o” gauche” no tempo.
Prêmio Pen-Clube. Livro “ O canibalismo amoroso”.
Prêmio União Brasileira de Escritores. Livro “ Mistérios gozosos”.
Prêmio APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo conjunto de obra.
OPINIÕES SOBRE A OBRA DE AFFONSO ROMANO DE SANT' ANNA:
“Não pode haver nenhuma dúvida:”ele é não só um poeta do nosso tempo, integrado nos seus problemas e perplexidades, nas incertezas sucessivas em que as certezas se resolvem, mas é também o grande poeta brasileiro que obscuramente esperávamos para a sucessão de Carlos Drummond de Andrade.O segredo de sua extraordinárias qualidades como poeta está em que ele é, antes de mais nada, um intelectual de alto gabarito, sem nenhuma das ingenuidades mentais que mantêm a produção corrente no nível rasteiro das pequenas emoções domésticas e nas dimensões microscópicas da autobiografia insignificante.
Wilson Martins- critico, historiador autor de Historia da Inteligência Brasileira,7 volumes)
“Affonso Romano de Sant’Anna se abre à vida, em sua totalidade, do modo mais feroz, digamos assim, e longe de se situar “ nos subúrbios do Velho Mundo”, coloca-se em pleno continentalismo do Novo Mundo, com suas aspirações universais e suas frustrações patéticas(...)Depois de Basílio da Gama, de Santa Rita Durão, de Gonçalves Dias,de Alencar, de Raul Bopp, de Cassiano Ricardo, de Mário de Andrade, de Darcy Ribeiro, Affonso Romano de Sant’Anna retoma o tema indianista e o leva a um horizonte planetário, a que nenhum de seus predecessores o levou.Seu poema é um ponto alto em nossas letras. E até em nosso momento político, como reação contra sua mediocridade e conformismo”
(Tristão de Athayde-crítico)
Introdução a “Seduções”(Ed. Sulina) Antonio Holfeldt
Sinto-me como o irmão mais novo de Affonso Romano de Sant'Anna e, como tal,acompanho-o, persistentemente, a todo o momento e a todo o lugar, mesmo que à distância.
Melhor, como ele é mineiro e eu sou gaúcho, sou o primo mais novo de Affonso Romano de Sant'Anna. Diferentemente do mineiro, que se não fica nas minas, vai para o Espírito Santo ou para o Rio de Janeiro, eu andei por São Paulo algum tempo, mas depois fixei-me aqui mesmo, no sul.
Affonso, não:- ele perambulou pelo mundo, visitou catedrais góticas, viajou em dorsos de baleias, conheceu aldeias de índios, aprofundou-se em cavernas de seu próprio e de outros eus, e, enfim, além de poeta, tornou-se cronista, porque crítico literário - isto é, leitor extraordinário - ele sempre o foi.
Parte do que vem publicando nos rodapés de jornais do Rio de Janeiro, está aqui reunido neste livro, chamado, mais do que apropriadamente, "Seduções". Vou simplificar e vou dizer tudo o que senti ao ler este trabalho em mínimas palavras: chorei, ri, recordei, tive vontade de ser ele mesmo, mas sobretudo me senti eu existindo. Você pode dizer que isso são os mistérios da arte. Eu prefiro afirmar que isso são os mistérios de quem,sabendo viver, sabe também traduzir em palavras - esta responsabilidade tão difícil - aquiloque viveu, e de tal modo, que a sua vida é também a vida de todos os demais.
As crônicas de Affonso Romano de Sant'Anna alcançam uma simbiose importante: elas juntam o clima dos anos cinqüenta, quando o gênero ganhou sua maturidade nos textos de um Paulo Mendes Campos, um Otto Lara Rezende ou enfim um Rubem Braga, sobretudo este, que surpreendia borboletas tanto quanto Fernando Sabino encontrava homens nus;mas também alcançam a densidade de alguns de seus melhores poemas, sobretudo aqueles dos livros mais recentes, quando o poeta aprofunda reflexões sobre seus próprios ser e condição.
Fiel à contemporaneidade, que tem sido uma constante, Affonso Romano de Sant'Anna aqui aborda temas que nem sempre foram suas principais preocupações. Na passagem dos anos 60 para os 70, ele discutiu a forma poética e a criatividade. Nos debates entre os anos 70 e 80, ele debruçou-se corajosamente sobre nossas contradições e crimes, denunciando as escabrosas situações a que a ditadura nos condenava. Nos anos 90, falou do cotidiano de todos nós, e quando o século e o milênio se esgotaram, escatologicamente, contudo, projetando um novo milênio e um outro século, ele passou a cumprir imediatamente aquilo que todos nós almejamos para este novo tempo: falou dele mesmo como se falasse de nós. Abriu seu coração, entregou suas experiências pessoais, colocou-se - cordeiro da poesia e da crônica - a nossa mesa, desdobrando-se em pequenos textos, fragmentos de uma modernidade sempre presente e sempre renovada.
Quem não vai se emocionar com estas crônicas? Quem não vai se sentir bem-humoradamente identificado com este pobre preocupado com a perda de qualidade de vida a cada dia que se passa, depois dos quarenta? Quem não vai ficar olhando de viés para a próxima esquina, na expectativa de encontrar aquela mulher madura que é o sonho de todos nós, homens, que sempre nos julgamos maduros o suficiente para encontrá-la, mesmo que não o sejamos? Quem, enfim, não vai sorrir, conivente, enfim apaziguado, com o retrato de nossos filhos ou sobrinhos adolescentes, repentinamente descobertos fora da infância, como o retrata a crônica?
A literatura, como toda boa arte, toca o leitor exatamente porque é capaz de se transformar em experiência. No caso de Affonso Romano de Sant'Anna, mais que experiência, sua arte seduz, lembrando a bruxa-fada-amante-narradora Sherazade, que salvou a sua vida, e na verdade também a do vizir, ao encantá-lo com suas histórias. Certamente, Affonso Romano de Sant'Anna tem alguma preocupação em salvar-se a si próprio mas, felizmente, ao fazê-lo, também resgata a cada um de nós. Estas suas "seduções" são literalmente aquilo que o título antecipa: é difícil ler tudo de uma só vez, porque se perde a fruição. Ao mesmo tempo, é difícil suspender-se a leitura porque, como no amor, o empuxe inicial, é tão forte que a gente não o controla mais. Quer maior prova da identidade entre a arte e o erotismo, em seu sentido mais amplo, do que este livro?
Ave, Affonso, os que te lêem te amam, apaixonadamente!
Antonio Hohlfeldt
Porto Alegre, Páscoa de 2002
“Trata-se de um livro excepcional (A grande fala...) , que li dum fôlego e quero reler de quando em quando. Na minha opinião, com esse livro, V. coloca-se na primeira linha da poesia de língua portuguesa.A abundância , a força, a coragem, a largueza de visão, uma mapla cultura vivida e mobilizada conferem uma grandeza épica e trágica à denúncia do tempo em que somos, divididos e ansiosos, vítimas de novas tiranias.Esta sua poética exprimi-nos a todos apesar de suas raízes latino-americanas, e toca-nos no mais fundo de nossas razões de revolta e também no clarão dum esperança a que nos apegamos”
(Jacinto do Prado Coelho-crítico e historiador português).
“Poema da América toda que vai ser ouvido, em vaticínio, em toda parte. Esta bela fala, já está à espera dos “ Englishers” e “Spanhisers” ( prá não dizer tradutores) que farão conhecer a corajosa mensagem. Como metáfora, mundo reversível, índios antigos e modernos.Conquistas e desafios”.(Fred Ellison- professor de literatura espanhola, latino-americana e brasileira , Universidade do Texas, Austin,USA)
“Romano de Sant’Anna conhece como poeta e como teórico a crise que afeta a poesia.Participou dos turbulentos movimentos de vanguarda que abalaram este país nos anos 50 e hoje cultiva o verso caudaloso,combatido então.Esta transformação não é, em Romano de Sant’Anna, ditado pela moda. Todos os passos do seu fazer poético são acompanhados por angústia e madura reflexão. (Donaldo Schuller-professor da UFRJ,crítico)
“No todo, uma coisa alvissareira- a redescoberta do verso, o versejar sem complexo( e que se dane a beata pudicicia da vanguarda) da linha melódica, com ou sem estrofe e rima.Às vazes o metro é regular; outras, refina esse tipo de versículo partido que o Pound dos “Cantos” consagrou, mas que Affonso soube tornar bem seu.”(José Guilherme Merquior-crítico)
“Recebi e agradeço o seu belo- belíssimo poema(“Que país é este?”), que tenho lido e relido, antes de lançar na circulação como pediu. Creio que é das melhores coisas que você fez, sob todos os pontos de vista. Tem uma força de indignação que se traduz de modo perfeito na linguagem que encontrou, onde o sarcasmo e a denúncia estão na própria organização da sonoridade antes de estarem na força do conceito e da imagem. Sem o menor ar de rebuscamento ou “ exercício” você dá um verdadeiro show de todos os recursos, com quase- rimas trançadas que além cedem o lugar a assonâncias;com os jogos-de-palavra e as imagens ultra-expressivas dando aos versos uma espécie de regularidade própria na variedade dos ritmos. Não lembro de ter lido na poesia brasileira recente coisa que me impressionasse tanto pelo alcance e a fatura”.
(Antonio Cândido -crítico e historiador- carta de 2.9.1983)
“A poesia de Affonso Romano tem verdadeiro fascínio pela construção mítica da História(...) É o caso do longo poema “A Catedral de Colônia” que dá nome ao seu livro mais recente.A idéia de escrevê-lo foi inspirada pela conturbada história da construção da própria catedral, iniciada em 1248 e somente concluída seis séculos depois. Affonso lança mão de uma instigante metáfora, sabendo que os alemães associavam o fim do mundo à conclusão da catedral- e ao fato de ter sido o único monumento de Colônia que resistiu `as trepidações da II Guerra Mundial.À maneira de “A Grande fala do Indio Guarani(1978) trata-se de um poema cósmico no qual transitam os seres e suas guerras, simbolizados pelas pedras que constroem um destino:”Esta catedral é o corpo vivo da História/e a história do próprio Eu”
(Luis Felipe Fortuna- poeta, crítico e diplomata)
" Na condição de um dos maiores nomes da literatura brasileira, Affonso Romano de Sant'Anna demonstra ser, nessa obra, não só um guru da crônica, mas também um orientador de como produzir textos literários de qualidade. Dividido em duas partes - uma teóri
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ca e outra de teoria aplicada - A Sedução da Palavra é imperdível por todos aqueles que se interessam pelo oficio e arte de escrever e querem iniciar-se neles. Preciosas dicas e excelentes exemplos disso são encontrados no livro, que também é primoroso em matéria de projeto gráfica”
(Leticia Mallard-crítica e professora Universidade Federal de Minas Gerais)
“Aqui jaz um século/ semiótico e despótico/ que se pensou dialético/ e foi patético e aidédico”- Cito do poema de Affonso Romano de Sant’Anna “Epitáfio para o século XX” do livro “O lado esquerdo do meu peito” Rocco, Rio, 212 pags. O poema é excelente., Cito mais:”século vanguardista/marxista, guerrilheiro/ terrorista, freudiano/ proustiano, pyceano/borges-kafkiano./Século de utopias e hippies/ que caberiam num chip” . E a última frase que cria uma epifania de nossa pequenez que raros poetas brasileiros apreendem, por insofisticação. Em estudo que se inclui desde logo entre os clássicos da matéria( BARROCO, DO QUADRADO `A ELIPSE) no Brasil e no exterior-, Affonso Romano de Sant’ Anna situa-se no plano dos grandes tratadistas internacionais , o que não é comum entre nós”(…)
Affonso tem uma facilidade admirável para versificar e saber fazer frases no bom sentido, `a la Eliot, como temos poucos(...) Affonso está falando conosco. Muito poucos autores falam a nossa língua, a língua de gente, do concreto de nossas vidas(...) O lado esquerdo do meu peito é um livro a se ter na biblioteca, para quem ainda acredita na vida das palavras”-
Paulo Francis, O Globo- 5.8.1992
Wilson Martins- O GLOBO- 13-1-2001
Fonte: - O material divulgado nesta Seção, foi recebido do Autor.
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