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Tempo de Passarinhar
Ouço o som que vem de fora...
É tempo de cigarra...
Seu canto entra pela minha janela, acompanha-me nas minhas caminhadas, atiça a curiosidade da criançada que sai à sua procura... querem pegá-las, querem ouvi-las, querem brincar com aquele bichinho grotesco, que canta sem parar...
É um tempo de alegria... tempo morno... prenúncio da chuva que está por vir... sua aparição é benfazeja, é o fim da estiagem, dos dias de incômoda secura... é o ciclo da vida que se renova... que se desenrola diante de mim...
A cigarra canta e o verde brota...
Depois da chuva, as flores... é a primavera que chega com cor, com graça, com o milagre da vida... a quaresmeira fica lilás... as mangueiras e as jaboticabeiras florescem, ganham folhas e o fruto brota... tudo fica lindo, perfumado...
É tempo de passarinhar...
É tempo de renascimento...
É tempo de despertar...
Helena - Brasília
CIGARRAS
( poema, publicado em A FONTE DO SAL, 1988)
Nesta primavera
as cigarras cantam diferente.
Há retidos gestos de adeus
nas retinas
e saudades nas horas.
Longos olhos miram
longamente as sombras
à procura de duendes.
Olhos feito punhais cravam-se
em meus olhos: detém-se
o jorro de palavras.
Emoções rompem as eclusas
e a poesia nasce, tímida planta,
nos áridos campos onde plantei
a semente de todas as palavras.
Fausto Rodrigues Valle-Goiania
Bicho Tonto
O canto das cigarras me orienta:
é tempo de escutar a primavera
e absorver o perfume que libera
o som que nestas tardes me sustenta.
Também os meus amigos, loucos tontos:
besouros, aleluias e outros bichos,
voltaram pra testar velhos caprichos;
zombar da paciência dos meus pontos.
Loucura? Quem diria, a noite é céptica!
fecho a janela e apago a luz do quarto;
que estes insetos vestem meu retrato
de bicho tonto, torto e sem estética,
que tromba nas paredes desta vida
só pra buscar um conto de partida.
© Nathan de Castro-Divinópolis
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