Washington
- Uma mutação de um gene feita em laboratório fez com que ratos
desenvolvessem cérebros gigantes, tão grandes que têm de se dobrar
como ocorre com o cérebro humano para caber no crânio. Cientistas da
Escola de Medicina de Harvard afirmaram que farão novas
experiências. (AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
Após
ler a notícia acima num grande jornal, Chapchap olhou para Gandhu do
outro lado da sala e disse:
-
A humanidade já sabe que existimos.
-
Preocupa não. Logo os humanos se esquecerão disso. Se é que
muita gente leu a notícia. - Retornou Gandhu, que terminava de
traduzir a Íliada de Homero para o sâncristo, apenas para
passar o tempo.
-
Eles apenas sabem que temos supercérebros - continuou Ghandu, que
agora melhorava uma esfera de tungstênio - , assim como alguns
humanos também têm, mas supercérebros de quase nada adiantam no
mundo de hoje, Chapchap.
-
Ora, ontem eu dei uma boa estudada nessa sociedade globalizada do
homem. Naveguei pela Internet a noite toda. Depois liguei a TV e
assisti a vários programas. Não sei em qual das fontes de
informações foi que eu fiquei mais chocado. Ah! E li várias
revistas que estavam aqui no laboratório também.
-
Explique melhor, Ghandu! O que você descobriu de tão
preocupante assim?
- Bom,
para começar, você sabe que o uso de drogas psicotrópicas podem
levar à morte. E até lá elas fazem da vida do usuário, e dos seus
amigos e familiares, um verdadeiro inferno.
-
Sei. E, cá entre nós, não preciso ter um
supercérebro para saber disso, né? Bom, e daí?
-
Você acredita que a cada dia o seu consumo aumenta mais e mais no
mundo todo?
-
Pois é! E em vários países o tráfico é praticamente
irrefreável e domina grande parte até mesmo das teias de poderes que
deveriam proteger a saúde e a vida dos cidadãos.
-
Há até líderes do tráfico que comandam suas organizações de
dentro dos presídios!
-
Sério! E, além do mais, algumas drogas como a nicotina e o álcool
são totalmente liberadas e aceitas quase que normalmente.
-
Ah! Você precisa de ver as propagandas que as anunciam! São as
mais chamativas e bem feitas de todas! Usam até animaizinhos para
jogarem subliminarmente na cabeça das crianças que o
álcool é bonitinho e bom! E as pessoas que fumam? Nem heroínas
e galãs de cinema são mais bonitos e perfeitos!
-
Menino! É para isso que o humano usa o cérebro, é?
-
Calma Chapchap. Você ainda não sabe de nada!
-
Se tem mais? Mais, muito mais! Por exemplo: Estamos cansados de saber
que em grande parte a maldade não existe como essência, certo?
-
Bem, este é um tema controverso... Eu particularmente
encaro como se fosse um estado em que não há luz, ou
seja, sabedoria, conhecimento.
-
Então! Pois você precisa ver como é que os governantes dos humanos
põe empecilhos para que os seus semelhantes estudem, adquiram
conhecimento, cresçam, construam o seu próprio negócio, gerem
empregos!
-
Mas Ghandu, sem conhecimento é o caos...
-
Não é? Pois é! Estive até matutando: Como será que funciona
o cérebro da maioria dos humanos que detêm o poder? Será que eles
não entendem que eles mesmos e as suas famílias, mais cedo ou
mais tarde, acabarão reféns da terrível e crescente situação que
eles mesmos produzem?
-
Isso é claro! Não dá para entender, Ghandu.
-
É... Mas há muita coisa boa também, Chapchap. Por exemplo...
Neste
momento a faxineira entra na sala e vendo os dois ratos em cima de uma
folha de jornal perto da janela do laborátorio os esmaga
impiedosamente com a vassoura. Logo após ela levanta os olhos, vê a
gaiola aberta e deduz que eram os ratinhos da experiência do Dr.
Wells.
-
For Godness sake! Matei os bichinhos do Dr. Wells! -
Grita.
Nisso,
reposicionando os óculos de aros muitos grossos, o assistente do Dr.,
que assistira a cena do outro lado do vidro, vem
tranquilizar a faxineira:
-
Não se preocupe, Mary. Eram apenas ratos.
.....
|