Ponto de vista
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   RATOS COM SUPERCÉREBROS 

                                                              Carlos Edu ® - (arlã() ® 

 

                         

                                                               Washington - Uma mutação de um gene feita em laboratório fez com que ratos desenvolvessem cérebros gigantes, tão grandes que têm de se dobrar como ocorre com o cérebro humano para caber no crânio. Cientistas da Escola de Medicina de Harvard afirmaram que farão novas experiências. (AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)                                                                                                 

Após ler a notícia acima num grande jornal, Chapchap olhou para Gandhu do outro lado da sala e disse:

- A humanidade já sabe que existimos.

- Preocupa não. Logo os humanos se esquecerão disso. Se é que muita gente leu a notícia. - Retornou Gandhu, que terminava de traduzir a Íliada de Homero para o sâncristo, apenas para passar o tempo.

- Eles apenas sabem que temos supercérebros - continuou Ghandu, que agora melhorava uma esfera de tungstênio - , assim como alguns humanos também têm, mas supercérebros de quase nada adiantam no mundo de hoje, Chapchap.

- Como assim, Ghandu?

- Ora, ontem eu dei uma boa estudada nessa sociedade globalizada do homem. Naveguei pela Internet a noite toda. Depois liguei a TV e assisti a vários programas. Não sei em qual das fontes de informações foi que eu fiquei mais chocado. Ah! E li várias revistas que estavam aqui no laboratório também.

- Explique melhor, Ghandu! O que você descobriu de tão preocupante assim?

- Bom, para começar, você sabe que o uso de drogas psicotrópicas podem levar à morte. E até lá elas fazem da vida do usuário, e dos seus amigos e familiares, um verdadeiro inferno.

- Sei. E, cá entre nós, não preciso ter um supercérebro para saber disso, né? Bom, e daí?

- Você acredita que a cada dia o seu consumo aumenta mais e mais no mundo todo?

- Mesmo?

- Pois é! E em vários países o tráfico é praticamente irrefreável e domina grande parte até mesmo das teias de poderes que deveriam proteger a saúde e a vida dos cidadãos.

- Não acredito...

- Há até líderes do tráfico que comandam suas organizações de dentro dos  presídios!

- Pára com isso, Ghandu!

- Sério! E, além do mais, algumas drogas como a nicotina e o álcool são totalmente liberadas e aceitas quase que normalmente.

- Ãhn?

- Ah! Você precisa de ver as propagandas que as anunciam! São as mais chamativas e bem feitas de todas! Usam até animaizinhos para jogarem subliminarmente na cabeça das crianças que o álcool é bonitinho e bom! E as pessoas que fumam? Nem heroínas e galãs de cinema são mais bonitos e perfeitos!

- Menino! É para isso que o humano usa o cérebro, é?

- Calma Chapchap. Você ainda não sabe de nada!

- Tem mais, Ghandu?

- Se tem mais? Mais, muito mais! Por exemplo: Estamos cansados de saber que em grande parte a maldade não existe como essência, certo?

- Bem, este é um tema controverso... Eu particularmente encaro como se fosse um estado em que não há luz, ou seja, sabedoria, conhecimento.

- Então! Pois você precisa ver como é que os governantes dos humanos põe empecilhos para que os seus semelhantes estudem, adquiram conhecimento, cresçam, construam o seu próprio negócio, gerem empregos!

- Mas Ghandu, sem conhecimento é o caos...

- Não é? Pois é! Estive até matutando: Como será que funciona o cérebro da maioria dos humanos que detêm o poder? Será que eles não entendem que eles mesmos e as suas famílias, mais cedo ou mais tarde, acabarão reféns da terrível e crescente situação que eles mesmos produzem?

- Isso é claro! Não dá para entender, Ghandu.

- É... Mas há muita coisa boa também, Chapchap. Por exemplo...

 

Neste momento a faxineira entra na sala e vendo os dois ratos em cima de uma folha de jornal perto da janela do laborátorio os esmaga impiedosamente com a vassoura. Logo após ela levanta os olhos, vê a gaiola aberta e deduz que eram os ratinhos da experiência do Dr. Wells.

- For Godness sake! Matei os bichinhos do Dr. Wells! - Grita.

Nisso, reposicionando os óculos de aros muitos grossos, o assistente do Dr., que assistira a cena do outro lado do vidro, vem tranquilizar a faxineira:

- Não se preocupe, Mary. Eram apenas ratos.

.....

 

 


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