PoesiaSaudades
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Do Que Não Sabes 
Fernanda Guimarães 

Desconheces os meus vendavais 
O ventre onde guardo rebuliços 
Pensas que podes me supor 
Entre as frases que vais unindo 
Quando te oferto minhas brisas 
A nudez em mim nada revela 
Antes encobre-me de mim mesma 
Como se existisse sempre um véu 
Vigiando-me o corpo, a alma 
Não é apenas por olhar-me assim 
Tateando palavras em meus lábios 
Espreitando o abismo do não dito 
E, de quando em quando, bebendo 
Da modorra das minhas águas 
Que saberias da mudez do meu mundo 
Há uma vida dentro de mim querendo acontecer 
Esta que o coração tenta antecipar 
Quente, como a buscar a respiração contida 
E as mãos ficam a desenhar o traço perdido 
A paisagem distraída inventada pela solidão 
Contorno de mim mesma, sem vazão 
E se gotejam lágrimas dos meus silêncios 
É que são meus olhos, a própria dor 
Por talvez dizerem o que não sei de mim 


SONETO A LÍDIA 
Nuno Dempster

Deixa que os sentimentos se misturem
na luz dos fins de tarde que nos restam;
que nada nos perturbe, nem os gestos
a meio interrompidos que se esfumam.

O ver-te assim me baste tranquila
tecendo a tua teia com as horas
num esboço de imagens e memória
que vaga e vagarosa sempre quis.

Ainda que me lembre não importa
o clarear da noite, o sol a arder,
os corpos dissolvidos num só grito.

Nada nos fira a carne qual a morte;
entre os choupos os deuses recordemos:
calmos são os seus sonhos infinitos.

 


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