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ilusão d'óptica
essa locomotiva de olhos amarelos
que carrega cometas de chuva,
versa um tesouro no mais profundo bunker.
não, poeta, não digas nada...
não digas senão uma vez,não digas nada.
deixa-te seduzir como toda a gente,
guarda o teu coração imenso no bolso!
e, na massa de gente, responde sem malícia
ao sorriso da adolescente um pouco tonta
esculpida no plakard da bancada.
cerra as mãos, já frias,dedos lisos
sem te abandonar a crença
que até elas podem acariciar estrelas!
ilusão d'óptica
eras tu o homem nu
que encontrei ontem à noite,
muito depois da meia-noite
no silêncio de uma rua sem luz?
não tinhas nome, certamente
e o teu rosto era estranhamente parecido
a todos os rostos do desconhecido.
ilusão d'óptica
à noite,
as janelas bruscamente se fecham
e descem os estores
sobre o vazio voluntário do exterior.
seca a mão que recortou o mundo.
seco, o olhar falso do invisível.
que fusil lentamente se lhe ajusta?
bem guardado, o santuário dos planetas.
Júlia Oliveira
17.02.2002
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