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O Gordo, um grande amigo, inclusive no diâmetro, é amoroso com todos os seus conhecidos.
Amoroso demais. Quando vê algum “parceiro”, corre pra abraçar e abraça forte. Tão forte que chegar a estalar os ossos da pobre vítima. Parece que ele possui um sexto sentido para medir o limite de resistência que os ossos do oponente suporta.
Tem cachorro que, quando enxerga o Gordo, abana o rabo... de longe e corre pra debaixo do carro.
Mas não é só ele que faz do cumprimento um perigo. O próprio destino se encarrega disso.
Um dia desses, dois amigos meus foram se cumprimentar, após meses de desencontros. Segundos antes do abraço, algo tirou a atenção de ambos. Resultado: na dança dos movimentos, um enfiou o dedo no olho do outro.
Outra me confidenciou que morre de medo de encontrar uma prima. A tal parente sofre de labirintite. Toda vez que se encontram e se abraçam, caem no chão. Tanto que, ao ver a prima, agora, ela procura uma parede para se escorar.
Pior aconteceu com um companheiro nosso que havia prestado um favor a um sueco. Num churrasco, o sueco avistou seu benfeitor e dirigiu-se para abraçá-lo. Detalhe: o sueco estava com um sapato, número 48, grosso calibre, com sola de borracha dura. E o nosso herói tupiniquim com uma sandália de dedo.
No momento do cumprimento, a sola do sapato nórdico levantou a unha do dedão brasileiro e a quebrou no meio. O sangue jorrou à vontade. Não bastasse isso, na inércia do pé grande, pisou em cima do dedo atingido.
Tudo isso, abraçando efusivamente o oposto.
Quando o nosso companheiro conseguiu dizer: Ai! Ai! Ai!, o sueco, achando que era alguma brincadeira da tribo, passou a dizer Ai! Ai! Ai! também. Mas não tirou o pé de cima.
Eu mesmo já causei um problema ao cumprimentar um amigo. Quando me levantei de um banco para abraçá-lo, ergui demais o joelho. Achei que havia acertado o lado interno da coxa e já iria pedir desculpas, quando notei seu olhar aterrorizado.
Ele dobrou o corpo, fechou os olhos, ficou amarelo e, num quadro típico de dispnéia, balbuciou, gaguejando: - Ai, mi-nha va-ri-co-ce-le!
Sérgio Antunes de Freitas
www.reforme.com.br
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