Poesia & Voz
Palavras de Adeus



 

 

E ...quem não disse Adeus, um dia?

 

Talvez...um até breve.

Quiçá...um volte logo.

Quem sabe...um não se vá.

 

Palavras de Adeus, onde uma lágrima retida, uma saudade doída, páginas -historias  de vida, que a memória retém, independente do ultimo gesto, acenando partidas.

 

Aqui, Palavras de Adeus, por  nossos Poetas, escritas. 

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Das palavras de Adeus

 

(Ao meu amor de outro dia)

 

Júlia Oliveira

 

A realidade é maior que a verdade,meu amor.Somos mais do que o sol e  do que o mar e em nenhuma metáfora cabemos - mesmo quando dizemos - eu sou a música, tu és o luar.

 

Com cadeias de papel nos unimos, em nosso nome juramos, pelas cascas dos frutos bebemos, de mel silvestre nos alimentámos.

De fora, sempre ficou algo que nos próprios sentimentos já não coube...e um gosto que nos indicou algo que a boca já dizer não sabe.

 

Entre as coisas, as palavras e a sua mudez, paira a irrealidade de que nos fizemos.

 

E nem uma só vez foram verdade as palavras de adeus que nos dissemos.

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Amor pelos cantos da casa

  

Ivy Willer 


Percorro o silêncio da casa;
o sofá sussurra, ainda,
as paredes do banheiro respiram,
quase transpiram,
gélido ar no que há pouco era calor.

Inspiro, inspiro,
nenhum cheiro:
nem perfume, nem tabaco.

Aprumo os ouvidos:
nenhum som ou ruído,
nem o arrastar de cadeiras,
nem o bater da porta da geladeira.
Também a casa se ressente com sua    ausência.       

  

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Momentos

 

Maria Inês Simões

 

Que a vida não seja apenas sentida

no momento daquela partida

 

Que a fala muda deste tempo

revele mais que aquele momento

 

Que teus olhos tragam o pouso

de um beijo não dado ao relento

 

E que a vida em momentos

continuada

um dia me traga você

e mais nada...

 

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Pra Nunca Mais Dizer Adeus

   Nathan de Castro


Quando relembro os nossos dias de canções e abraços
me vejo nos espaços dos poemas que perdi
e minhas caminhadas seguem rumos dos teus passos,
como a buscar nos sonhos o sorriso que não vi.
Nem sei se foi sorriso ou se uma lágrima brotou...
só sei desta tristeza que a saudade me deixou.

Para esquecer o brilho que guardei do teu olhar,
um dia disse: adeus! e o tempo veio me dizer
das rugas que não sei e dos cabelos de luar
depois de tantos anos sem o nosso entardecer.
Nem sei se foram anos ou se o tempo adormeceu...
só sei desta saudade do beijo que se perdeu.

Brancos cabelos soltos ao luar
e nossos passos lentos se encontraram
no vento que estas rugas ensinaram
deixando-me sonetos de sonhar

e o sonho é uma lágrima que brota
dos olhos que aprendi a esquecer
na solidão do beijo à minha porta
batendo esta saudade de viver.

Luar-te-ei nos versos de lembranças,
nas danças encantadas das estrelas
e pra estrelar canteiros de esperanças,

espalharei sementes nas estradas,
como a plantar palavras de vivê-las...
e nunca mais o adeus nas caminhadas!

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_ talvez ...porque junho _

 

anamerij
 

a vida que te diluiu em mim

                               aqui está

 

no tanger de moinhos

no alecrim por campos

             a  semear-se  sozinho 

no vôo  de andorinhas

                                            a tecer  ninhos                       

 

enquanto em saudação a manhã

                              da paineira

o tronco se abre em nova cor

 

no lamento absoluto das gaivotas

a vida  que te diluiu em mim

                                  aqui está

eco de memória

como escuro  murmúrio do mar

  mal te percebo

                      entre seixos e  abrolhos

talvez...

porque junho

 

tens lírios findos à tua volta

                     e confinas um réquiem nos olhos

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 Poetas:

 

Julia Oliveira

Ivy Willer

Maria Inês Simões

Nathan de Castro

Ana Merij

 

 


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