Prazer de ler
Cenas Poéticas

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Ato I

 

um homem arrota

o pedaço de vida

que ingeriu.

e junto com ela

um pouco da sua

sem saber.

tudo é vácuo

no pensamento

e calado sentimento:

-         o mundo rui
   à cada dia.

o peito palpita

na anti-calma

do teatro diuturno.

um tanto de turno

de gente,

metade demente,

metade demente.

por-de-sol branco

dia da luz da

atomia

-         Eu sabia, diz o monge,
que um dia
tudo ia espatifar
assim,
que nem querubim
quando quebra
a asinha.

 

 Ato II

 

ainda resta a casinha,

diz alguém um tanto perdido

em meio do meio

de tudo.

mas o homem arrota

o pedaço de vida,

a mulher faz um aceno

na despedida.

o garçom retira a taça

de flamboyants vivos -

-         Guardemos para o natal.

 

sim!,
guardemos para o natal,

todos repetem, em coro.

e ouve-se um estouro

(um bum pá! pá!)

de repente.

tudo fica quente

e uma bolha gigante

sai em seguida ao

arroto do roto

e num minuto

consome todos

os seres da terra

e tudo que arde

abaixo

do que sobra

é passado.

era espera.

 

 

Ato III

 

um silêncio atormenta a humanidade desumana.

e as sementes já se alimentam do que de bom

virou canto pra plantio

pra próxima colheita.

 

 

Ana Peluso

 

 


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